Tipos
de Fractais
Recordemos o que se passava no capítulo Caos em relação à equação xn+1 = rxn(1-xn). Para um qualquer xn obtíamos xn+1 como
valor de saída que por sua vez iria servir como valor de entrada no cálculo
seguinte. Podemos imaginar esta operação como um fenómeno de feed-back em que
um determinado aparelho executa sobre os dados que lhe são fornecidos, uma
série de operações, transformando-os, de acordo com um conjunto de regras
estabelecidas e produzindo um resultado de saída. São estas técnicas recursivas
e iterativas que estão na base da produção de imagens fractais.
Tomemos agora um outro exemplo,
imaginando uma máquina
fotocopiadora que possuíria tantas
lentes quantas pretendessemos e
em que cada uma executaria sobre a
imagem a fotocopiar,determinada operação, seja de
ampliação, rotação, translacção etc., produzindo assim uma imagem de saída alterada em relação
à imagem inicial através desse conjunto
de operações. De
seguida,iríamos colocar essa imagem final como imagem inicial e
operar sobre ela as mesmas transformações que haviamos efectuado
anteriormente e repetir este fenómeno de feed-back um número muito grande de vezes. Podemos, ao contrário
do que
se possa pensar, afirmar que, desde
que esse cojunto de operações obedecesse a algumas
regras simples, obteríamos uma
imagem, com determinados contornos
específicos e limitados, e dependente apenas das operações executadas e não da
imagem inicial. No caso da fig. 4 estaríamos a usar um conjunto de três lentes
em que cada uma reduziria a imagem a
metade do seu tamanho e a copiaria
para um dos vértices de
um triângulo equilátero. Como se pode
ver, qualquer que seja a palavra ou imagem inicial,
ao fim de um número
relativamente pequeno de transformações, obteríamos um
determinado padrão independente dessa
mesma imagem.
Como foi referido, tais transformações deverão obedecer a determinadas regras, nomeadamente a que obriga que o tamanho da imagem não cresça indefinidamente, ou
seja, que para quaisquer dois pontos dessa figura inicial que
considerámos, a distância entre eles seja menor,após essa transformação.
Podemos agora imaginar um grande número de
diferentes operações a efectuar por um número ilimitado de lentes, produzindo portanto um sem número
de diferentes padrões.
Naturalmente que este método de produzir
fractais não é de todo, prático. É aqui que entra em jogo o papel da matemática
e dos computadores. Iremos usar a primeira com os seus sistemas de equações que
irão simular as diferentes operações a efectuar, e os segundos, com a sua
velocidade de processamento e capacidades gráficas.
Devemos reparar que neste exemplo, as
transformações efectuadas não distorcem propriamente a imagem. As posições
relativas entre cada ponto que constitui a palavra 'fractal', mantêm-se
constantes o que em linguagem matemática seria o equivalente a dizer que as
transformações teriam sido lineares, por incluirem apenas termos de primeira
ordem, ou seja, as linhas que eram inicialmente rectas, continuarão a sê-lo.
Este tipo de fractais é frequentemente utilizado para representar objectos como
por exemplo fetos e árvores dada, como foi referida, a semelhança entre estes e
os ramos que os constituem. Além disso, as técnicas usadas para os produzir,
podem ser eficientemente usadas na compressão de imagens. As transformações
anteriormente referidas, são definidas através de um reduzido número de índices
contido numa matriz, pelo que bastar-nos-á, para uma determinada imagem,
encontrar os índices das transformações que a produzirão. Podemos em seguida
guardar apenas esses índices e posteriormente usá-los para a reconstituir
utilizando o método inverso do usado para os encontrar.
Falámos até agora, de transformações
lineares, pelo que, podemos desde já prever a existência de não-lineares. Neste
caso, os objectos irão sofrer não só operações de rotação, translacção e
redução, como podem ainda ser distorcidos. Este tipo de fractais geram imagens
fantásticas de uma riqueza e diversidade de motivos enorme. Encontram-se neste
tipo, os conhecidos e intrigantes conjuntos
de Julia com a sua beleza extraórdinária, que mais não são do que um
conjunto de sucessivas distorções. No entanto, na prática, os conceitos de
rotação, translacção, deformação etc., não serão usadas de uma forma directa na
sua produção, como veremos na secção seguinte, sendo aliás de referir, que a
abordagem nestes termos é bastante recente, se bem que importante, uma vez que
integra o que anteriormente eram considerados fractais de diferentes tipos.
Seja como for, os dois tipos de fractais
até agora referidos, possuem uma característica em comum, que é o facto de
serem determinísticos, ou seja, a imagem que obteremos, está à partida
determinada pelo conjunto de operações que definimos. De referir no entanto,
que por vezes, a fim de acelerar a produção deste tipo de fractais poderemos
socorrer-nos de técnicas que envolvem números aleatórios mas que nem por isso
irão afectar as características da imagem final.
Por oposição, temos os fractais aleatórios,
que conjuntamente com os determinísticos constituem os dois grandes tipos de
fractais que conhecemos.
Assim, abrimos agora lugar ao imprevisível.
Podem ser várias as maneiras de os produzir, bem como, assumir aspectos muito
diversos. Vejamos resumidamente duas técnicas diferentes entre si, mas que
produzem igualmente imagens fractais do tipo aleatório.
No primeiro caso, imagine-se um triângulo
ao qual vamos unir os pontos médios de cada lado, produzindo assim quatro novos
triângulos mais pequenos que o original. Cada ponto médio, é então deslocado do
plano em que se encontra, para baixo ou para cima, de forma aleatória, e este
mesmo processo é por sua vez, sucessivamente aplicado a cada um dos novos
triângulos mais pequenos (fig. 5.a). Após algumas operações começaremos a obter
um objecto cujos contornos se vão a pouco e pouco definindo. Poderemos então
adaptá-lo, por forma a vir a servir de modelo a um determinado objecto natural,
digamos, uma montanha (fig. 5.b). Para tal, usaríamos diversas tècnicas,
nomeadamente colorindo-o, ou fazendo com que os números aleatórios seguissem
uma determinada distribuição o que provocaria por exemplo, uma maior ou menor
rugosidade da figura obtida.

No segundo caso, imagine-se um ponto
central, e uma circunferência de qualquer raio, à sua volta. Seguidamente,
cria-se aleatóriamente dentro dessa circunferência, um outro ponto que se vai
movimentar de forma igualmente aleatória e que só parará, ou quando sair da
circunferência, extinguindo-se, ou então, quando chocar com um outro ponto, (
inicialmente será apenas com o ponto central ) 'colando-se' a esse ponto já
existente. De imediato, é gerado novamente um outro ponto, igualmente numa
posição aleatória dentro da circunferência, que se deslocará até que mais uma
vez, suceda uma das duas situações anteriores. Caso volte a chocar com o
conjunto de pontos já existente, imobilizar-se-á e passará a fazer parte desse
'agregado'. Caso venha a sair fora da circunferência, esse ponto
desaparecerá.Em qualquer dos casos, um
novo ponto será gerado, repetindo-se o processo indefinidamente. Ao fim de
algum tempo, obteríamos uma figura constituindo um agregado fractal, possuindo
características típicamente fractais, nomeadamente a sua dimensão, e que
poderia por exemplo servir de modelo para o crescimento de dendrites, tendo a
este processo sido dado o nome de DLA
(diffusion-limited agregation), do qual a fig. 6.a e 6.b são um exemplo.

Os fractais aleatórios em geral, prestam-se
para serem usados como modelos de inúmeros fenómenos naturais, como paisagens,
núvens, etc., e podem ser gerados segundo uma grande diversidade de técnicas
que no fundo têm em comum o facto de, não só produzirem objectos com
características fractais mas também, o de conterem em si uma componente
aleatória.
|
(3/4)
|