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Toada de Portalegre
Em Portalegre, cidade
Do Alto Alentejo, cercada
De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros
Morei numa casa velha,
Velha, grande, tosca e bela,
À qual quis como se fora
Feita para eu morar nela...
Cheia dos maus e bons cheiros
Das casas que têm história,
Cheia da ténue, mas viva, obsidiante memória
De antigas gentes e traças,
Cheia de Sol nas vidraças
E de escuro nos recantos,
Cheia de medo e sossego,
De silêncios e de espantos,
- Quis-lhe bem como se fora
Tão feita ao gosto de outrora
Como ao do meu aconchego.
................
- José Régio
Esta é apenas a parte inicial do poema
que é bastante longo e vale muito a pena ler todo (só transcrevi este
trecho para o Moleskine); a versão integral está disponível em muitos
sítios online. É também indispensável conhecer a versão declamada pelo
João Villaret.
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